jan 09

História do termo Forró – O que é? Sua origem, gêneros e a dança

Posted by Portal Pé de Serra | Posted in Geral | Posted on 09-01-2004

“Na longa cadeia de fenômenos culturais urbanos que envolvem a presença de música e dança a serviço da diversão das camadas mais humildes dos grandes centros, o mais recente e mais rico de sugestões é o representado pela criação das casas de dança denominadas Forrós. “

O Forró como gênero musical pode ser considerado filho do Baião.

O nome Forró era usado só para designar o local onde aconteciam os bailes e só mais tarde foi caracterizado como estilo musical, derivado do Baião. Muitos ainda confundem Baião e Forró, e pra ser mais exato, não apenas esses dois gêneros (que são os mais próximos), mas muitos outros existentes na música nordestina.
Essa grande variedade de gêneros musicais é devido às influências variadas, à mistura de um estilo com outro, fazendo com que os próprios músicos a chamem de “música nortista”.

Forró é redução de ‘forrobodó’ , que por sua vez quer dizer: arrasta-pé, farra, troça, confusão, desordem, rolo. É baile popular. É o que encontramos no Novo Dicionário da Língua Portuguesa.

O que podemos perceber é que o uso da palavra forrobodó para definir os bailes populares tinha um lado de preconceito, que na verdade ainda acontece hoje só que em menor escala, pois agora podemos notar com freqüência a presença de pessoas das classes mais altas participando desse tipo de manifestação.

Podemos encontrar definição parecida no Dicionário de Câmara Cascudo, onde forrobodó é divertimento, pagodeiro, festança. “Após a tal sessão houve um grande forrobodó”.FORROBODÓ ou FORROBODANÇA é um baile mais aristocrático que o CHORÃO do Rio de Janeiro, obrigado a violão, sanfona, reco-reco e aguardente. Nele tomam parte indivíduos de baixa esfera social, a ralé.

O termo tem curso no Ceará, para designar os bailes da canalha, como escreve Rodrigues de Carvalho, e entre nós, porém, desde muito, e antes mesmo do aparecimento do livro de Rohan, 1889, como se vê destes trechos: “Um arremedo de folhetim cheirando a forrobodó” (América Ilustrada, nº 25 de 1882). “Ao ator Guilherme, na noite do seu forrobodó” (O mefistófeles, nº 15 de 1833). O termo, portanto, quer originário do Rio de Janeiro quer não, já tem entre nós os seus cajus (Pereira da Costa, VOCABULÁRIO PERNAMBUCANO, 349-350).

Usa-se em Natal, na imprensa anterior a 1930, como sinônimo de baile popular, pagode, samba movimentado, entre o povo. Carlos Betencourt e Luís Peixoto escreveram uma revista teatral, FORROBODÓ, que foi muito representada e aplaudida por todo o Brasil (1917-19) . Na definição de Luiz Gonzaga, Forró é baile de ponta de rua, dentro da zona boêmia, de letra provocante e geralmente insultuosa, contando proezas e valentias. A primeira gravação em disco, cujo título evidenciava a palavra Forró, como local de dança foi em 1949, por Luiz Gonzaga.

Gonzaga gravou o Baião intitulado “Forró de Mané Vito“, dele em parceria com Zé Dantas, que mostrava muitas das características dos forrós.

Com todas essas definições sobre a etimologia da palavra Forró, podemos caminhar junto ao raciocínio do professor Alberto T. Ikeda quando diz que é de costume do povo simplificar as palavras, e que foi isso que aconteceu com a palavra forrobodó, onde as pessoas passaram a chamar apenas de Forró. Por outro lado, alguns defendem outra versão, na qual a palavra Forró teria surgido de “for all“.

Conforme João Epifânio Lima Campos (1980), com a inauguração da primeira estrada de ferro no interior de Pernambuco pela companhia inglesa Great Western, foi feito um baile (ao som da sanfona e zabumba) para comemoração do acontecimento, promovido pela própria empresa, que convidava todos através dos dizeres afixados na entrada: “for all” (para todos). A partir daí então, passariam a chamar os seus bailes populares de Forró.

O que mais constatou-se durante a pesquisa sobre a etimologia da palavra Forró, é que as pessoas conhecem Forró, como a palavra vinda mesmo de ‘for all’.

Isso vem mais uma vez reforçar a nossa opinião sobre a força que os meios de comunicação de massa, ou seja, a força com que eles atingem as pessoas de um modo geral. A música de Geraldo Azevedo veio afirmar mais uma vez (e com muita força), uma coisa contestada pelos livros e folcloristas.
Bom, como o poder de persuasão do rádio e da televisão são bem maiores que o dos livros, as pessoas acreditam nessa afirmação.

Em entrevista, Geraldo Azevedo fez o seguinte comentário sobre sua música For All: “A idéia dessa música ‘bicho’, na verdade mais uma vez foi nosso mestre Luiz Gonzaga. Eu tive assistindo um programa de televisão na década de (…) final de 70 pra 80, não foi começo de 80.

Tava assintindo a TVE num programa onde estavam presentes Luiz Gonzaga e Sivuca, outro mestre da sanfona. E era um programa muito interessante. Poucas vezes que eu vi Luiz Gonzaga conversando, falando das raízes e tal, aí eles falaram dessa coisa pitoresca pra mim, nessa hora ficou uma coisa assim interessante, da palavra Forró como teria surgido, e que contava essa história da estrada de ferro que os ingleses vieram instalar no Brasil, que tinha aquelas festas, né.”

Normalmente tinha aquelas festas para os engenheiros, aquela coisa mais “elitista”, e de vez em quando tinha festa também para os operários, por que eles ficavam muito no meio do mato, aquela coisa (…) ficavam realmente isolados.

E quando ‘botavam’ para os operários, quando era para todos, eles botavam … escreviam lá no barracão ‘for all’, era inglês, botavam lá ‘for all’. Então os nordestinos “principalmente”, começaram a sacar que quando era ‘for all’, era para todos. Então hoje é for all, hoje é Forró?”.

Pode-se perceber que Geraldo Azevedo reconhece o erro que fez, quando tenta se sair da resposta com um bom trocadilho, mas, jamais iria admitir. Afinal, estaria indo contra uma coisa que ele mesmo afirmara. “Aí repare, eu fiz um disco em 83 e lancei essa música, e o nome do disco era For All Para Todos. Recebi uma crítica de Câmara Cascudo, que é uma pessoa idônea na história do folclore, e ele fez uma crítica diretamente ao meu disco, dizendo que era absurdo, que não tinha base essa história, que o Forró vem da palavra forrobodó do banto africano. Hoje, tá passando um filme chamado For All que trás à tona essa mesma coisa, só que já é na origem de americanos.

Então, quer dizer. Normalmente as coisas viram lenda, né? Eu acredito que Forró hoje em dia vem do ‘for all’, é ‘para todos’ e é um ‘forrobodó’ maravilhoso.” Eleuda de Carvalho também é uma que defende que a etimologia da palavra Forró vem de forrobodó, e não de for all.

Ela discorda Geraldo Azevedo “For All Para Todos”.

Segundo a autora Forró é uma contração da palavra forrobodó. Mesmo porque desde o século 17 já se fala em forrobodó, bem antes dos ingleses construírem suas malhas ferroviárias. Como ela mesma diz: “Só sendo muito abestado pra aceitar isso.” Esta última versão, que diz que o Forró veio de ‘for all’, tem realmente lógica, pois se formos bem a fundo, veremos que essa versão vem de um fato ocorrido na segunda metade do século XIX quando foram inauguradas as primeiras estradas de ferro (1858).

Mas, vimos que Forró tenha surgido mesmo de forrobodó, termo que é usado até hoje, e antes mesmo do seu registro pela imprensa como coloca o professor Alberto Tsuyoshi Ikeda. Forró inicialmente designava apenas a festa ou baile dançante, e o local onde acontecia. Só mais tarde passou a ser também um gênero musical. É bom deixar claro que em muitas regiões, o nome para esses bailes populares era samba, mesmo que a música executada fosse o Forró. O gênero se espalhou por todo país. Forró é “gênero basicamente de dança, de ritmo binário.

A diferença básica apontada por todos os músicos quando indagados sobre a diferença entre o Baião e Forró é que o ritmo é mais “picadinho” ou mais “repicado”, quando o Baião é mais quadrado e não tem o swing do Forró.

O Forró tem mais “molho .” A batida do Baião é mais “quadrada”, ou seja, ela tem menos balanço que o Forró, que também pela introdução da guitarra, e mesmo da bateria na sua orquestração, possibilitou que a música se “mexesse” mais.

O Forró tem mais ‘swing’ (balanço) que o Baião. É o que Dominguinhos chama de “tempero”, de “molho”. Um dos motivos que Dominguinhos expressa como empecilho, para que hoje não esteja se tocando Baião, é justamente o fato das pessoas não saberem o que é Baião e o que é Forró, não sabem distinguirem os ritmos. É justamente aí que está a perda da “memória”, ou seja, as pessoas perderam o referencial.

fontes: aqui , aqui e aqui

pixel História do termo Forró   O que é? Sua origem, gêneros e a dança

Escreva um comentario

Notifique-me de novos comentários via e-mail. Você também pode se inscrever sem comentar.